Os segredos para visitar Santana do Riacho do jeito certo!

Santana do Riacho, é a nossa terceira parada e última parada na série de textos especiais sobre as Santanas que marcaram a minha vida.

Localizada no norte de Minas Gerais, a pouco mais de 123 km de Belo Horizonte.

Essa Santana, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018 tinha uma população estimada de 4274 pessoas.

A cidade devota a Sant’Ana, teve sua trajetória iniciada enquanto o Brasil ainda passava pelo seu período colonial.

Santana do Riacho foi descoberta por um bandeirante, que parou para descansar próximo a um riacho, que conhecemos hoje como Riacho Fundo.

Ao explorar o local, o bandeirante encontrou uma tribo indígena local. 

Lendas urbanas contam que o explorador encontrou uma índia e uma criança, ele acolheu as duas.

A índia faleceu pouco tempo depois. O bandeirante continuou cuidando da criança. Já crescida, ambos tiveram vários filhos.

Foi o início do povoamento da região.

 

Santana do Riacho / Minas Gerais

No início de sua ocupação, o atual Município de Santana do Riacho era denominado Riacho Fundo. 

A comunidade local conta, folclóricamente, que este nome e a sua ocupação se deveu a um ao mesmo bandeirante que começou o processo de população.

Porém, o primeiro registro de exploração da região consta de 22 de maio de 1744.

Data quando foi concedida ao Sargento-mor Antônio Ferreira de Aguiar e Sá a região do Riacho Fundo, através de uma Carta de Sesmaria.

Vem daí a Fazenda Riacho Fundo, pertencente à Comarca de Serro Frio. 

A propriedade mantinha limites com Sabará, Rio de Pedras, com a propriedade de José de Souza e com a propriedade de João Fragoso, conhecida hoje como Serra da Lapa.

Porém, durante parte do século XVIII, a tendência do período colonial era ocupar qualquer pedaço de terra antes mesmo do pedido da Sesmaria. 

Sem as leis sobre apropriação, a ocupação efetiva do território.

Onde hoje é Santana do Riacho, pode ter se dado antes da data indicada na Carta de Sesmaria.

Essa teoria é reforçada com o fato de outras regiões próximas terem sido ocupadas várias décadas antes.

No século XVIII, a região em volta da Santana do Riacho já era conhecida e de certa forma ocupada.

Mais tarde, a região foi explorada em busca dos diamantes que só foi oficializada muito tempo após a descoberta, quando a extração já se processava sem nenhum controle da Coroa.

Logo foi construída a capela local, datada de 27 de outubro de 1759.

E assim o arraial foi se desenvolvendo ao redor da capela. Na época chamado de distrito de Riacho Fundo, pertencente à freguesia de Conceição do Mato Dentro, Comarca do Serro Frio.

Anos depois, em 17 de março de 1836 o distrito de Riacho Fundo foi incorporado ao território de Morro do Pilar.

Após reivindicações locais, em 15 de abril de 1844, Riacho Fundo voltou a ser distrito, porém, não mais de Morro do Pilar e sim de Conceição do Mato Dentro.

Em 1911, após muitos atritos políticos, criações e revogações de inúmeras leis, o distrito de Riacho Fundo passou a pertencer a Santa Luzia.

Em 17 de dezembro de 1938, ao ser criado o município de Jaboticatubas, o distrito de Riacho Fundo, composto pela sede do distrito, foi anexado ao novo município.

Desde a construção da Capela local em 1759, o distrito Riacho Fundo permaneceu sem identidade territorial. 

Foram 203 anos sem liberdade territorial e no meio de confusões políticas.

Até que em 1962, o distrito de Riacho Fundo foi desmembrado do município de Jaboticatubas e elevado à município de Santana do Riacho.

 

Santana e a Chapada da Lapinha

Eu quis dar um destaque especial a esse vilarejo deslumbrante que reserva aos seus turistas as mais encantadoras e inesquecíveis paisagens de Minas Gerais.

Situada ao sopé do Pico da Lapinha (segundo ponto mais alto da Serra do Cipó, com 1687 metros de altitude).

O local faz parte da Área de Preservação Ambiental Morro da Pedreira (APA) e fica a 12 km da sede do município de Santana do Riacho é um ponto que merece destaque.

Chamada de Lapinha de Belém para antigos moradores e hoje Lapinha da Serra, possui uma média de 300 habitantes que vivem da agricultura e do turismo.

Com inúmeras belezas naturais, o vilarejo atrai visitantes em busca de sossego e também de aventura. Você vai poder curtir:

  • Lagos

  • Cachoeiras

  • Grutas

  • Rios

  • Picos

  • Sítios arqueológicos

 

Locais que podem proporcionar tanto à paz da contemplação, quanto à adrenalina dos esportes radicais.

A cultura local é marcada por festejos religiosos como o Dia de São Sebastião, padroeiro do vilarejo, e a Festa de Nossa Senhora Aparecida.

Muito tradicional no distrito, o Batuque é uma manifestação realizada semanalmente pelos moradores e apresenta dança, palmas e tambor.

O paraíso na terra, são as palavras que fazem jus aos encantos desse lugar.

 

O que fazer em Santana do Riacho

Se você precisa de um roteiro para curtir tudo o que você merece em Santana do Riacho,  não precisa procurar mais.

Represa da Lapinha

O seu nome original é Represa da Usina Coronel Américo Teixeira, é o atrativo mais visitado pelos turistas quando vem a Santana do Riacho.

Possui dois enormes lagos que são separados por duas montanhas e unidos por um canal de água que passa entre elas.

O primeiro lago tem algumas das casas do vilarejo. O percurso até sua margem é de fácil acesso e da praça central do vilarejo gasta-se apenas cinco minutos de caminhada.

O segundo lago fica um pouco mais distante do vilarejo e para chegar, você precisa caminhar em direção ao Capão Grosso. 

De lá é possível ter uma belíssima vista do lago, praticamente intocado, com pouquíssimas construções em seu entorno.

 

Cachoeira Bicame

Formada pelo Rio De Pedras, é uma das cachoeiras mais belas da região, localizada na Reserva Natural do Patrimônio Natural Brumas do Espinhaço.

Recebe este nome pelo “Bicame” que é um desvio construído para retirar o rio do seu leito natural a fim de se explorar diamantes no local.

Ele fica localizado ao lado da cachoeira e pode ser visitado.

Localizada a 16 km do vilarejo é possível fazer 5 km de carro e os outros 11 Km a pé.

 

Pinturas rupestres

As Pinturas Rupestres da Lapinha tem aproximadamente 7 mil anos. 

Elas revelam as histórias dos nossos antepassados. 

Estes povos viviam em grupos, não sabiam plantar os alimentos e nem criar os animais. 

Para garantir esta casa e a sua sobrevivência eles vinham até estes paredões para realizar uma espécie de ritual mágico.

Por isso eles desenhavam nas paredes utilizando óleo de sementes e frutos misturados aos pigmentos naturais das rochas.

 

Circuitos Águas do Boqueirão

O quarto item da nossa lista, na verdade é uma lista, eu vou te dar opções maravilhosas de cachoeira para você curtir.

 

Cachoeira Paraíso

A primeira cachoeira no paredão da Serra do Breu, formada por três quedas sequenciais. 

Sua mata é bem preservada e deixa ainda mais bela a região do Paraíso. 

Local ideal para contemplação e meditação. 

É o ponto de abastecimento de água do vilarejo, por isso não é permitido banho.

 

Cachoeira do Rapel

Próxima do vilarejo, localizada no paredão da Serra do Breu, a cachoeira proporciona uma experiência única.

Fazer rapel em 30m de altura.

 

Cachoeira Poço da Pedra

Cachoeira de 5 metros de altura com bancos naturais para massagem em queda d’água. Pequeno poço, local ideal para crianças.

 

Cachoeira da Conversa

O nome dado a cachoeira é o mesmo dado ao córrego.

Com uma mata ciliar densa é possível conversar a margem do rio e escutar essa conversa ao longo do córrego (dizem os moradores mais antigos).

Motivo do nome dado ao córrego e a cachoeira).

 

Motivos que vão te fazer se apaixonar por Santana do Riacho

Outra Santana apaixonante é a do Riacho. 

Cidade localizada no coração da Serra do Cipó.

Tem a tradicional Igrejinha no Centro e sua praça, botecos raízes, que vendem os melhores tira-gostos do mundo, e muitas, muitas cachoeiras.

É impossível ir a Santa do Riacho e não se aventurar por uma caminhada que leve a pontos magníficos, com quedas altas e limpas.

Que despencam por riachos que vão serpenteando nossas montanhas até se perderem em um abismo.

Chegando ao solo novamente e montando aqueles poços que a gente adora nadar.

São muitos os caminhos que levam às cachoeiras de Santana do Riacho. 

E você pode escolher se chega por cima ou por baixo, se vê mais montanhas ou cânions, se anda mais ou se vai de carro.

Esta Santana também merece a sua visita, mas vá com calma, porque nela não há espaço para correrias e nem para afobação. 

Os banhos devem ser lentos, demorados, com pitadas de poesia e temperados pela brisa fria que sai das cachoeiras e se perde no meio de um oceano de montanhas e sonhos. 

Aliás, conhecer Santana do Riacho é um sonho que você precisa ter o mais rápido possível.

Se você gostou desta série de postagens sobre as Santanas que marcaram a minha vida e quer ver mais desse tipo de conteúdo, deixe o seu comentário.

Ou se preferir me mande uma mensagem no @viajandocomtoledo

Criando em: 27/04/2021