Polêmica: Minas Gerais tem 300 anos ou um pouquinho mais?

Recentemente fizemos um Viação Cipó direto de Mariana comemorando o aniversário de Minas Gerais, onde surgiu essa pergunta, Minas Gerais tem 300 anos ou um pouquinho mais? 

Antigamente só existia a capitania do Rio de Janeiro, que englobava toda a região sudeste e também parte do nordeste, centro-oeste e sul. 

Porém a capitania de São Paulo e Minas Gerais foram criadas em 1709, em 1720 elas foram desmembradas.

Mas qual data vale, a primeira criação ou a segunda?

Para desvendar esta polêmica vamos ouvir historiadores, mas o mais importante é celebrar mais um ano de Minas Gerais, este estado que é um continente, toda felicidade Minas Gerais, pelos 300 anos ou um pouco mais…

História do Estado de Minas Gerais

Minas é umas das 27 unidades federativas do Brasil, sendo o quarto maior estado em questão territorial do país, o segundo em quantidade de habitantes. Mas nem sempre foi assim. 

A região onde hoje é conhecida como Minas Gerais já era habitada por povos indígenas entre possivelmente 11 mil e 400 a 12 mil anos atrás, período o qual estima-se ter se originado Luzia, nome recebido pelo fóssil humano mais antigo encontrado nas Américas.

Encontrada nas escavações na Lapa Vermelha, gruta da região de Lagoa Santo e Pedro Leopoldo, na região metropolitana da hoje Belo Horizonte. 

Minas Gerais dos índios e a cultura que herdamos

Foi deste período que características culturais foram herdadas, como: uso de peças de pedras ou osso, fogueiras extintas, criação de cemitérios, pequenos silos com sementes rupestres e mais tarde cerca de mil anos depois a plantação dos primeiros vegetais, em especial o milho.

Outro característica histórica herdade desta época foi o artesanato, existem registros de dois mil anos que mostram uma importante manufatura em produtos cerâmicos.

Um salto no tempo nos faz aterrissar na chegada dos colonizadores portugueses. Os europeus se embrenharam no meio da mata em busca de metais preciosos. Na época eram apenas lendas selvagens. 

Minas de Ouro

Foi só no fim do século XVII que as primeiras evidências de que a região de fato possuía uma grande riqueza mineral, cuja descoberta atribui-se aos bandeirantes paulistas, em especial a Antônio Rodrigues Arzão, que inicialmente buscavam índios para servirem de escravos.

Destas incursões que rumavam para o interior do estado, Antônio Dias de Oliveira, cujo assentamento aos pés do pico do Itacolomi viria se formar Vila Rica.

A notícia da descoberta de ouro na região logo se espalhou, atraindo pessoas interessadas em adquirir riqueza fácil.

Inicialmente o ouro era extraído do leito dos rios, o que obrigava os garimpeiros a se mudar conforme o esgotamento do metal precioso. 

Após algum tempo, a exploração começou a ser feita também nas encostas de montanhas, o que obrigava o assentamento permanente dos mineradores, foi o que proporcionou o surgimento dos primeiros núcleos de povoamento.

Guerra dos Emboabas

Os paulistas se julgavam proprietários do ouro retirado das minas, alegando direito de conquista, e não queriam que outros se apossassem dessa riqueza.

Com isso, em 1708, teve início o primeiro grande conflito, que ficou conhecido como Guerra dos Emboabas.

Os paulistas saíram derrotados do conflito e passaram a buscar por ouro em outras regiões que hoje estão localizadas nos estados de Goiás e Mato Grosso. 

Intervenção da Coroa Portuguesa

Um dos fatores que contribuíram para o fim do conflito foi a intervenção da Coroa Portuguesa, ela criou as capitanias de São Paulo e Minas de Ouro em 1709 e em 1720 a Capitania de Minas Gerais.

A Coroa, passou a controlar com rigor a exploração  de ouro nas minas, recolhendo vinte por cento de tudo o que era produzido, o que ficou conhecido como quinto.

A população da capitania continuava a crescer, mas existiam somente pequenos cultivos agropecuários de subsistência, o que demandava a importação de produtos de outras regiões coloniais. 

Novos acessos à região foram criados, aumentado o fluxo de pessoas e mercadorias e ao longo desses acessos criavam-se povoados, dentre eles destaca-se o Caminho Novo, que ligava as regiões mineradoras do Rio de Janeiro às de Minas.

A intensa mistura de pessoas associadas à riqueza oriunda do ouro, proporcionaram a formação de uma nova sociedade culturalmente diversa, com vários músicos, artistas, escultores, artesãos, etc [...].

Dentre os movimentos culturais destacam-se o trabalho de Aleijadinho e Mestre Ataíde, dentre outros, que permitiram o florescimento do Barroco Mineiro. 

Enquanto isso…

No Vale do Jequitinhonha, os diamantes foram descobertos, embora seus exploradores não soubessem que a pedra encontrada era preciosa. 

Mas a Coroa Portuguesa ao reconhecer a produção mineral da região, logo estabeleceu uma forma similar ao modo do ouro para cobrar impostos sobre a produção.

O principal núcleo de exploração dos diamantes era próximo de onde mais viria surgir o Arraial do Tijuco, hoje Diamantina.

A escravatura em forma de ouro

No auge da busca por ouro, a mão de obra escrava era fundamental para os grandes produtores. Desta forma, intensificou o comércio de negros, que eram trazidos do continente africano para trabalhar nas minas.

Muitos dos negros tentanvam fugir, alguns conseguiam. Por esse motivo o surgimento de quilombos por todo estado foi intenso. 

É possível estimar que durante o século XVIII surgiram mais de 200 destas comunidades por toda a capitania.

Os assentamentos não ficavam distantes dos centros mineradores, o que facilitava a fuga dos escravos.

Inconfidência Mineira

Este é definitivamente o movimento que mudou a história do estado de Minas Gerais. E ele começou na segunda metade do século XVIII, quando a produção do ouro dava claros sinais de queda.

E para manter a arrecadação, a Coroa Portuguesa passou a aumentar os impostos e a fiscalização na colônia, além de criar a derrama, uma nova forma de imposto que garantiria aos portugueses o mesmo lucro.

Com a escassez do ouro, os exploradores já não podiam mais pagar. Os lusitanos então confiscaram as propriedades dos colonos.

Essa ação trouxe insatisfação ao povo que vivia em Minas. Influenciados pelo iluminismo europeu, as elites mineradoras idealizaram um plano que tinha o objetivo de criar uma nova república, independente da coroa.

A revolução estava marcada para acontecer na próxima cobrança da derrama. Líderes deste movimento, como: o poeta Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, o padre Carlos Correia de Toledo e Melo, o coronel Joaquim Silvério dos Reis e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Porém a cobrança foi revogada pela coroa, pois os lusitanos já investigavam o movimento que estaria para acontecer. 

Ao contrário de Tiradentes, a maioria dos membros faziam parte ou tinham uma ligação com a elite poucos foram de fato condenados. 

Para Joaquim foi atribuída toda a responsabilidade pelo movimento. Usado de exemplo pela coroa Tiradentes foi enforcado e esquartejado e teve seus restos mortais espalhados pelas vias de acesso da capitania.

Cafeicultura

Após a seca do ouro e o período imperial, em 1889 a República Velha tem o seu início. República esta que começou sendo comandada apenas por militares.

Porém durou apenas cinco anos, em 1894 houve a eleição para o primeiro presidente civil do Brasil, dando início ao período que ficou conhecido como República Oligárquica.

Em Minas, surgiram os primeiros barões do café, responsáveis por aumentar significativamente a produção do estado.

As oligarquias cafeeiras tinham grande influência na política nacional, ao escolherem os representantes que iriam ocupar o cargo de presidente do país. 

A união entre os dois estados mais populosos do país, São Paulo e Minas Gerais, formalizaram um acordo. Os presidentes seriam eleitos alternadamente entre paulistas e mineiros. Essa parceria ficou conhecida como política do café-com-leite.

Porém não deu certo. Divergências políticas entre os dois mineiros e paulistas, permitiu que outros estados elegêssem seus presidentes. 

Contudo, não deixaram de exercer sua influência política no processo eleitoral.

Anos mais tarde, o declínio oligárquico estava mais nítido e acelerado do que nunca. Revoltas populares, movimentos tenentistas e a crise do café agravaram ainda mais a situação.

Porém a política café-com-leite só terminou quando o até então atual presidente Washington Luís, deveria indicar um mineiro para ser o seu sucessor, porém ele indicou outro paulista, Júlio Prestes.

Em contraposição a essa jogada política, Minas se uniu à Aliança Liberal, que era representada pelo Rio Grande do Sul, foi esta mesma Aliança Liberal que em 1930 realizou o golpe de estado que instaurou uma nova república, agora sob o comando de Vargas.

Industrialização

Ainda falando sobre o café, ele teve certas características peculiares, que na verdade desfavorecem o crescimento econômico do estado. Você não leu errado! O lucro gerado pela cultura cafeeira era em parte destinado aos portos de exportação em estados vizinhos.

Além disso, no fim do período da escravidão, não houve a transição direta para o trabalho livre e assalariado nas lavouras, o que levou à menor circulação monetária.

Mais um agravante era a desarticulação entre as regiões do estado, que tinham mais relações econômicas com os estados vizinhos. 

Por isso as elites mineiras, iniciaram uma tentativa de centralizar a economia estadual a partir de diversas iniciativas, dentre elas a criação de uma nova capital, que aconteceu em 1897, Belo Horizonte.

Porém, por outro lado, em exceção ao atraso industrial Juiz de Fora, apresentou um alto desenvolvimento industrial pela economia cafeeira, um dos fatores que ajudou esta evolução, é a localização, pois a cidade fica próxima ao Rio de Janeiro. 

Porém durou até 1930, quando a competição com outros estados surgiu e levou o município a estagnação econômica. 

Voltando a industrialização do estado, o projeto de desenvolvimento foi feito para atuar em duas vertentes, a primeira: diversificação produtiva, baseado na agricultura, que em tese seria capaz de sustentar o desenvolvimento industrial. A segunda: era usar recursos naturais para realizar a especialização produtiva visando a fabricação de bens intermediários.

O plano foi sendo implementado gradualmente durante o século XX, com diversas iniciativas, inclusive a criação da Cidade Industrial de Contagem em 1941. Porém o avanço foi prejudicado por conta de problemas logísticos como a falta de energia e de uma rede eficiente de transportes.

Os anos 40 e 50 foram importantes para Minas, pois a partir deste período o objetivo era combater os problemas que impediam o desenvolvimento.

Em seu período do mandato como governador e presidente da república, Juscelino Kubitschek, criou a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), além de várias usinas hidroelétricas, além de milhares de quilômetros de rodovias. 

Neste período o setor metalúrgico foi um coringa para o estado, principalmente na região central. 

Mas por causa da instabilidade econômica que sucedeu a década de 60, o estado foi afetado. 

Durante a ditadura militar, as federações industriais apoiaram o regime e na década seguinte Minas volta a retomar sua trajetória ao crescimento econômico, beneficiado, sobretudo, pelo processo de descentralização industrial.

Como resultado, o produto interno bruto mineiro foi superior à média nacional por vários anos. Tal processo provocou também o aumento da porcentagem da população que vivia nas cidades.

Embora boa parte, veio da migração do êxodo rural para as grandes cidades e principalmente a capital. 

Na década de 80, o crescimento econômico mineiro sofreu uma nova descontinuidade por conta da crise generalizada no país, mesmo assim Minas ainda continuava acima da média nacional. 

Na década seguinte o estado apresentou baixo dinamismo econômico em comparação com os demais estados. Desde de então, Minas se consolida como a terceira maior economia do Brasil. 

Viagem no tempo

Agora que você conheceu ou mesmo relembrou a história de Minas Gerais, você consegue dizer qual é a idade real do estado?

Para te ajudar a desvendar este mistério olha só esse vídeo! Nós viajamos por Minas para descobrir a opinião de especialistas e historiadores, acabe com este mistério de uma vez por todas! Clique aqui e veja!

 

Criando em: 08/01/2021